Turistando na cidade luz: Uma Fortaleza cheia de mares, livros e museus.

Fortaleza é a capital Cearense, fica na zona litorânea do estado. É cheia de belas praias e mangueirais. Terra de José de Alencar, a cidade é inspiração para os olhos, ouvidos e espírito. Falando assim parece que visitei Fortaleza pela primeira vez e me encantei, não que isso deixe de ser verdade, mas já aqui moro a uns quatro anos. Te convido a conhecer melhor essa história e conhecer, através de narrativas e fotos, uma Fortaleza maravilhosa, longe daquela estatística de uma das cidades mais perigosas do mundo.

Semana passada estava eu a conversar com um carioca das belezas do Rio de Janeiro. Ao ver seu expresso desinteresse sobre o assunto, me veio à mente e à boca uma ideia que validei ser real: As vezes não damos tanto valor às belezas que nos cercam. Ele, apesar de morar a alguns minutos do corcovado, por exemplo, visitou-o apenas recentemente. E pensei comigo que o mesmo poderia estar acontecendo comigo. Vivo numa cidade maravilhosa onde as pessoas vem aqui para as férias. Do que tenho aproveitado disso tudo? O que conheço de Fortaleza, que apesar de não ser minha terra natal, foi a terra que adotei como minha? Decidi então, no dia 28, dar uma volta por alguns pontos turísticos que nunca havia visitado, quando muito só visto de longe ou da forma incorreta. Vou falar um pouco para vocês, sem nenhum ou quase nenhum conhecimento aprofundado, sobre cada um dos pontos que visitei. O intuito aqui vai ser muito mais falar como me senti do que falar sobre a história das coisas.

Capítulo I — Praia de Iracema.

As ondas vinham e encontravam-se com as areias. No final demoravam-se muito a juntar-se ao alto mar, novamente. Acho que elas se apaixonavam pelas areias do Ceará, e ali queriam fazer morada.

O interessante da praia de Iracema é que nem só a vista para o mar é bonita. O outro lado também o é. Cheio de prédios exuberantes e pessoas sorridentes, todo o ambiente é contagioso, trás uma sensação de bem estar, de colo de mãe.

Uma ponte enorme rasga o mar. As rochas que a alicerçam são abraçadas pelo ondas. No meio de todo esse romance galhos despontam do meio das rochas e mostram o resultado da união da natureza.
Monumento/estátua de Iracema. Fica no coração da praia.

Da praia levei saudade, e uma vontade louca de sempre estar por lá. Também levei uma concha e muita areia nos pés.

Talvez seja interessante contar ao leitor que ao dirigirme à praia, avistei ao longe a catedral da cidade. É um monumento arquitetônico lindíssimo — e aqui aplico esse superlativo com todos os direitos que ele trás junto. A ideia de passar pela catedral me impregnou na cabeça, e a chance que o momento trazia não poderia, com plena atividade das capacidades mentais, ser descartada.

Capítulo II — Catedral de Fortaleza/Igreja da Sé

Infelizmente é impossível capturar em imagem a magnitude arquitetônica da Catedral de Fortaleza. O prédio com ar de antigo trás à lembrança os castelos da Europa antiga.

Ao chegar aos terrenos da Catedral e ver de perto toda aquela obra construída pelas mãos dos homens me senti muito contente, como se diz em minha terra, igual à um pinto na chuva. Corri para dentro e fui surpreendido por um ar de reverência muito forte. As pessoas que ali estavam, algumas em orações outras extasiadas com a magnitude do prédio, não diziam palavra alguma, ou ao menos palavra alta.

Cheia de arte interna, a catedral possui várias janelas feitas em uma espécie de mosaico de vidro. Quando o sol chega até elas, pode-se ver internamente grandes obras de arte que retratam personagens bíblicos como apóstolos, Maria e Jesus. Também ali encontrei uma pia batismal com uma arte muito singular e bela, referenciando o momento em que o próprio fundador da fé Cristã foi batizado.

A gravura feita na parede azul faz uma alusão à frase proferida pelo próprio Deus quando Jesus estava sendo batizado por João, o batista.

Confesso que esperava encontrar mais arte dentro do edifício. Após já haver bisbilhotado a parte interior acessível ao público, resolvi tentar descobrir alguma entrada escondida por ali (eu estava num espírito aventureiro!). Não encontrei muito, a não ser pessoas conversando. Mas a entrada ou saída dos fundos também mereceu ser capturada. Deixo o resultado com vocês logo abaixo:

Entrada ou saída dos fundos da Catedral de Fortaleza

Após sair da Igreja e sem ter muito para onde ir, deixei que os meus passos errantes me guiassem por aí, afim de encontrar nova aventura. Talvez chegar até o Dragão do Mar ou algo parecido. Acontece que ao andar em uma rua paralela ao meu último lugar visitado, vi um edifício que me chamou atenção, era o Centro Cultural do Branco do Nordeste.

Capítulo III — Centro Cultural do Banco do Nordeste

Essa obra de arte faz uma alusão ao povo nordestino, ao plantio e colheita. Ao lado se pode ver uma placa vemelha, cortada na foto. Ali é onde fica a biblioteca.

Capítulo IV — A praça dos leões, ou, menos frequentemente chamada, Praça General Tibúrcio.

Imponente estátua do General Tibúrcio. Infelizmente não tenho muito a falar sobre ela.

Minha maior alegria em estar ali se devia ao que eu via em minha frente. Uma espécie de rua/ruela paralela à praça estava cheia de lugares onde se vendiam livros. Só isso. Livros. Até o dentista, perdido naquela confusão toda, também vendia livros haha! Me encantei e observei aquilo. Batendo a fome corri até um restaurante dali mesmo, gastei apenas uns R$13,00 com o prato. Demorei-me pouco e decidi voltar ao lugar onde estivera, pois antes vi um livro de Saramago, e decidi perguntar ao vendedor quanto eles estava custando. Comprei o livro e puxei um papo com uma outra vendedora. Disse que estava gostando daquele lugar. Percebi que tudo ali girava muito em torno de cultura, principalmente pelo grande número de livrarias naquele lugar. Indaguei sobre o que mais eu poderia fazer por ali. Ela me respondeu que no mesmo lugar eu poderia encontrar a Academia Cearence de Letras e o Museu do Ceará. Meus olhos brilharam.

A Academia Cearence de Letras fica ao lado da Praça dos Leões, para não dizer que fica acoplada a essa. Não vi algo visível que revelasse que ali estaria um importante edifício. Circulei todo o prédio, afim de encontrar uma porta, quando percebi, depois da ajuda de um senhor que estava nas proximidades, descobri que a entrada era logo ali, num portão de ferro comum. Agradeci e fui até lá. Bati palmas e chamei a atenção de um senhor que ali estava, fazendo a segurança do local. Seu Nunes, o nome dele. Perguntei o que acontecia ali, se eu poderia visitar e como tudo funcionava. Ele liberou, gentilmente, a minha entrada. Eu bisbilhotei os quadros, medalhas e livros que estavam expostos. Também entrei em uma espécie de sala de conferências, ou auditório, não sei que termo usar. Após dar uma olhada em tudo e sentir a energia incrível de estar em um lugar onde vários imortais da literatura do meu estado passaram, eu mais uma vez me dirigi ao seu Nunes e indaguei várias coisas. Descobri que ele trabalha ali já a mais de 40 anos. Ele recomendou-me passar pelo Museu do Ceará. Conselho do sábio é ordem, não é verdade?

O tom antigo, formal e sofisticado da Academia Cearence de Letras encheu-me a alma.

Capítulo V — O Museu Do Ceará

Ao entrar fui gentilmente recebido. Foi-me repassadas algumas informações sobre a exposição que estava acontecendo e também sobre como eu teria acesso ao museu. Após terminados os processos de praxe, dirigi-me primeiro à exposição que estava acontecendo. Não tendo muito a falar sobre, direi então a respeito do museu em si. Ao subir ao segundo andar, onde todos os materiais do museu encontravam-se, dou de cara com uma estátua de Iracema. A segunda do dia.

Iracema pousa em frente à entrada do museu. Acho que ela sabe que é bonita.

Ao entrar no museu você está entrando em um imenso salão, que é dividido de modo que você possa caminhar por todo o seu entorno e visitar várias sessões da exposição. A primeira exposição foi sobre os indígenas cearences. Ali vi machados feitos de pedra, panelas de barro (ou material similar), urnas utilizadas para enterrar mortos e tantas outras coisas. Senti uma imensa sensação de familiaridade. Pensei em meus ancestrais. Eles utilizavam aquelas ferramentas para caçar, construir, matar a fome, dizer adeus… Me vi como parte daquilo. Eu fui um resultado de um povo trabalhador e guerreiro, descobridor do Ceará, muito antes que qualquer europeu nestas terras pisassem. Foi maravilhoso.

Da mesma forma foi fascinante ver a história de Fortaleza, dos grandes homens que construíram essa cidade. Das roupas que um dia foram usadas por pessoas que ninguém mais lembra o nome. Da vida que um dia riscou a escrivaninha do Rodolfo Teófilo. Das ferramentas que eram usadas para torturar os escravos. Consegui ver a dor que aquilo causava. Todos os sentimentos estavam ali, ainda permeava, talvez numa profundidade atômica, os objetos do museu.

No museu descubro que eu não sou infinito.

Gostaria demais de compartilhar com vocês essas imagens que fiz da exposição. Infelizmente não dá pra capturar as emoções, o peso real de cada imagem, o momento…

Eu tenho medo desse bode. Só coloquei ele aqui pra dizer isso.

Prólogo

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Computer Engineer + iOS Engineer. I am interested in Swift, Kotlin, Firebase, Data Structures, ASO & On Solving Real World Problems.

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